Senadora do PP se reuniu com o pré-candidato do PL nesta quinta-feira (30) e sinalizou aceitar compor a chapa rumo às eleições de outubro
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro ganhou um novo capítulo nesta semana. Depois de meses de idas e vindas, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) confirmou ter se reunido com o senador do PL na última quinta-feira (30) para tratar, pela primeira vez de forma oficial, sobre um convite para ocupar a vice-presidência em sua chapa. A ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro chegou a recusar a proposta em conversas anteriores, alegando prioridade em disputar a reeleição ao Senado e, depois, a presidência da Casa. O cenário, porém, mudou nos últimos dias.
Segundo apurado pelo Correio Braziliense, uma fonte do Progressistas afirmou que Tereza Cristina teria condicionado sua entrada na disputa ao fortalecimento da participação feminina em um eventual governo do parlamentar fluminense. A senadora, por sua vez, tratou o encontro como produtivo, mas destacou que nenhuma decisão foi fechada, já que a composição da chapa depende de avaliações políticas, pessoais e de acertos entre os partidos envolvidos. O nome dela é visto pelo PL como estratégico para ampliar o apoio da candidatura junto ao agronegócio e ao Centrão.
Por que Tereza Cristina é vista como peça chave na estratégia do PL
O interesse de Flávio Bolsonaro pelo nome de Tereza Cristina não é recente. O próprio senador já havia se referido à parlamentar como seu “sonho de consumo” para a vaga de vice, justamente pelo trânsito que ela mantém entre lideranças do Centrão e pela força que representa junto ao setor produtivo. Ex-titular do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento durante toda a gestão de Jair Bolsonaro, ela é reconhecida como uma das principais interlocutoras do agronegócio no Congresso Nacional, segmento que responde por parcela relevante do Produto Interno Bruto brasileiro e que tradicionalmente pesa nas urnas em estados do Centro-Oeste e do interior paulista.
Além do peso técnico e político, a eventual indicação de Tereza Cristina também é lida como um gesto direcionado ao eleitorado feminino, público que a campanha de Flávio Bolsonaro busca conquistar em um cenário eleitoral marcado pela disputa acirrada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT. Internamente, integrantes do PL vinham insistindo havia semanas na composição da chapa com o PP, avaliando que essa aliança ampliaria a base de sustentação do projeto presidencial para além do eleitorado estritamente bolsonarista, um dos principais desafios apontados por analistas políticos para a candidatura.
Outros nomes também chegaram a ser cotados para a vaga, entre eles Simone Marchetto (PP-SP), Clarissa Tercio (PP-PE) e Daniela Ribeiro, que presidiu a Caixa Econômica Federal durante o governo Bolsonaro e assessorou o então ministro da Economia, Paulo Guedes. Nenhum desses nomes, contudo, reunia o mesmo conjunto de atributos políticos que Tereza Cristina apresenta, o que explica a insistência da cúpula do PL nas tratativas mesmo após as recusas iniciais da senadora.
O calendário eleitoral e os próximos passos da chapa
A candidatura de Flávio Bolsonaro já havia sido oficializada em convenção nacional do PL realizada em 25 de julho, no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, evento que reuniu milhares de filiados e também homologou candidaturas do partido aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas. Naquele momento, porém, o nome da vice ainda não havia sido definido, já que a legislação eleitoral permite que os partidos homologem apenas o candidato titular durante a convenção e deixem a escolha do companheiro de chapa para negociação posterior junto à Executiva Nacional.
Pelo calendário do Tribunal Superior Eleitoral, o prazo final para o registro das candidaturas termina em 15 de agosto, o que dá à campanha poucas semanas para fechar formalmente a composição com o PP e alinhar eventuais coligações estaduais decorrentes dessa aliança. O coordenador-geral da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), já havia adiantado que o nome da vice não seria anunciado na convenção de julho e que a definição ocorreria apenas em agosto, o que torna o encontro desta quinta-feira um passo relevante rumo ao fechamento da chapa.
Enquanto as tratativas com Tereza Cristina avançam, a campanha também promoveu mudanças na equipe de comunicação, com a entrada do publicitário Duda Lima, responsável pela propaganda eleitoral de Jair Bolsonaro em 2022, no comando da comunicação de Flávio. A movimentação reforça o esforço da candidatura em profissionalizar a estrutura de campanha às vésperas do início oficial do período eleitoral, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro e eventual segundo turno em 25 de outubro.
Com a costura da chapa avançando e o calendário eleitoral se estreitando, os próximos dias devem concentrar boa parte das atenções da direita brasileira. A confirmação de Tereza Cristina, caso se confirme oficialmente, tende a ser recebida pelo PL como um reforço estratégico importante, ampliando o discurso da campanha para além da base bolsonarista tradicional e buscando consolidar apoio entre o agronegócio, o Centrão e o eleitorado feminino, três frentes consideradas decisivas para o desempenho de Flávio Bolsonaro nas urnas em outubro.
Fontes: Correio Braziliense Gazeta do Povo Estado de Minas ND Mais





