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Cientista político avalia crescimento da extrema direita em Portugal

A eleição em Portugal foi marcada pela vitória da direita portuguesa e pelo maior comparecimento às urnas nos últimos 20 anos, com a abstenção de 33,8% da população.
Com uma pequena diferença de 0.88% dos votos, o partido da Aliança Democrática (AD), terá a maioria dos deputados na Assembleia da República, o Parlamento de Portugal, com o Partido Socialista (PS) não muito atrás.

Um dos grandes temas das eleições, entretanto, foi o crescimento do polêmico partido Chega e sua política anti-imigração.

O cientista político André César alerta que pouco deve mudar em relação aos partidos vitoriosos, mas que a ameaça do conservadorismo e a política é real e deveria ligar sinal de alerta aos brasileiros.

“O PS já estava no poder então ele sempre teve uma relação muito boa com o Brasil e os brasileiros que vivem em Portugal. A AD também, é um dos partidos de centro-direita mas também não altera muito essa relação. Eu vejo um problema maior no CHEGA.

Ali é que está o perigo, no crescimento de 12 para 48 deputados e de uma figura como André Ventura (presidente do partido), que é uma ideia de “Bolsonaro português”. Ele tem o perfil dessa ultradireita, aí sim está o problema”, disse o cientista.

Chega cresce
Um partido conservador de extrema direita, o Chega teve uma ascensão significativa em relação à última eleição.

O partido contava com apenas 12 parlamentares em 2022, e agora, obtendo 18,05% dos votos, irão contar com 48 parlamentares nos próximos anos.

Com uma forte mensagem de anti-imigração, os direitistas conquistaram a parte mais conservadora da população portuguesa e aproveitaram a onda xenofóbica que cresce na europa para conseguir os expressivos resultados.

“Uma coisa importante que se deve ter em mente é que não é só o Chega, não está só ali o problema, está na parcela da sociedade portuguesa, que inclusive está se sentindo mais agressiva com brasileiros e outros imigrantes. Isso que alimentou o Chega inclusive. O eleitor deles tem esse caráter agressivo e xenofóbico mesmo, não só com brasileiros mas também com imigrantes de Angola, Moçambique e outros que realmente sofrem”, alerta o cientista político.
O cientista político também fala que os resultados são um sinal para imigrantes não só por parte de Portugal, mas também em relação ao resto da Europa, com a ascensão de figuras como Giorgia Meloni na Itália e de Marine Le Pen na França no cenário político do velho continente com propostas de extrema-direita e incentivando o ódio aos imigrantes de outros continentes.

A Aliança Democrática e o Partido Socialista
Diferente das eleições brasileiras, os portugueses votam nos partidos que eles acham melhor para o país, decidindo assim as cadeiras na Assembleia da República. Quando um partido consegue a maioria absoluta de votos, ele consegue governar sozinho sem a necessidade de alianças.

A grande vitória nas eleições foi da Aliança Democrática, um partido composto pela união de três partidos, Partido Popular Monárquico (PPM), Partido Social Democrata (PSD) e o Partido do Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP).

Liderados por Luís Montenegro, a AD somou 29,54% dos votos e com isso, a aliança de centro-direita terá de eleger 79 parlamentares para a Assembleia da República.

O Partido Socialista (PS), de centro-esquerda, liderou o país nos últimos anos. Nessas eleições o PS ficou com apenas 28,66% dos votos e conquistou o direito de eleger 77 deputados.

O número representa uma queda considerável em relação à última eleição, em 2022, onde o partido conseguiu 41,3% dos votos, colocando 117 deputados nas cadeiras do parlamento.

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