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Como a Política e o Futebol se Interligam na Ascensão da Extrema Direita em 2024

Em 2024, a intersecção entre política e futebol torna-se cada vez mais evidente, especialmente com o avanço de movimentos de extrema direita em vários países. O futebol, sendo um dos esportes mais populares do mundo, tem sido utilizado por alguns líderes de extrema direita como uma ferramenta de mobilização e engajamento com a população. Isso se reflete em temas como privatização de espaços públicos, apoio a mudanças estruturais nos clubes de futebol e até o incentivo a comportamentos discriminatórios, que encontram ressonância tanto nas arquibancadas quanto nas redes sociais. Assim, o futebol se tornou uma arena não só de disputas esportivas, mas também de batalhas ideológicas.

A ascensão de figuras políticas como Jair Bolsonaro no Brasil, Donald Trump nos Estados Unidos e Javier Milei na Argentina exemplifica como a extrema direita tem se infiltrado nas instituições e no cotidiano das pessoas. Em 2024, o futebol se tornou um palco para discussões que ultrapassam os limites do esporte, especialmente quando jogadores e dirigentes começam a se posicionar em questões políticas. A privatização de praias, defendida por Neymar, ou o apoio de Milei ao modelo de clube-empresa são apenas alguns exemplos de como o esporte pode ser usado como um catalisador para temas políticos que envolvem interesses da extrema direita. A busca por uma “liberdade” individual muitas vezes esconde uma agenda muito mais ampla e preocupante de desregulamentação e enfraquecimento das instituições democráticas.

A extrema direita, de maneira astuta, tem utilizado esses temas aparentemente inofensivos, como o humor, os costumes e até mesmo o futebol, para atrair eleitores descontentes e céticos em relação ao sistema político tradicional. Esses movimentos se aproveitam de um sentimento generalizado de desconfiança, criando narrativas que apelam para a “liberdade individual” ou a defesa de valores conservadores, como a família e a pátria. Embora esses temas possam parecer distantes da política tradicional, eles são, na verdade, uma estratégia calculada para conquistar a simpatia de uma base maior e mais diversificada de apoiadores, preparando o terreno para uma agenda política mais radical.

Em relação ao futebol, a mudança de comportamento e o apoio a essas ideias se tornam visíveis nas atitudes de jogadores, treinadores e até mesmo dirigentes. O caso de Neymar, que demonstrou apoio à privatização das praias, é emblemático, pois ilustra como a extrem direita tem se infiltrado em setores populares da sociedade, como o esporte. Esse tipo de posicionamento muitas vezes é mais facilmente aceito por uma parte da população que vê o futebol como um espaço para se expressar livremente e defender suas crenças. No entanto, é crucial entender que, ao se posicionarem politicamente, esses jogadores estão, sem querer, contribuindo para a normalização de ideias que podem ser prejudiciais ao processo democrático.

Além disso, a manipulação das massas através do futebol vai além do Brasil. Em outros países, como os Estados Unidos e a Argentina, o futebol tem sido uma ferramenta para reforçar as políticas da extrema direita. As políticas populistas que buscam criar um “piso” de 30% de apoio incondicional, como observado em diversos movimentos golpistas, têm encontrado suporte não apenas no campo político, mas também no campo esportivo. Isso cria um fenômeno de resistência e de identificação com os líderes populistas, que se tornam figuras quase messiânicas, capazes de mobilizar grande parte da população por meio da promoção de uma agenda nacionalista, conservadora e, muitas vezes, xenofóbica.

A articulação entre movimentos de extrema direita e esportes como o futebol também se estende à esfera internacional. As visitas de líderes como Bolsonaro e Milei ao exterior, e sua adesão entusiástica ao sionismo, mostram como a política externa também é influenciada por essa ideologia. Embora a extrema direita em diferentes países possa ter características e focos diferentes, o que une esses movimentos é a construção de uma narrativa comum, que visa deslegitimar os sistemas democráticos e favorecer um modelo político mais autoritário. No caso do futebol, isso se traduz em uma crescente hostilidade contra a liberdade de expressão e uma ênfase em valores que podem ser usados para justificar a repressão a opositores políticos.

Ao longo de 2024, a extrema direita tem se dedicado a minar as estruturas políticas e sociais, muitas vezes utilizando a ideia de “guerra cultural” para reverter conquistas de direitos civis e liberdades fundamentais. Isso se reflete em debates no campo esportivo, com uma crescente normalização de atitudes discriminatórias. No futebol, o discurso de ódio e intolerância muitas vezes é disfarçado de “piada” ou “liberdade de expressão”, mas seu impacto real é a legitimação de comportamentos violentos e excludentes. Esse fenômeno é um reflexo de como a extrema direita está utilizando o esporte não apenas como uma forma de entretenimento, mas também como um campo de batalha para impor sua visão de mundo.

No Brasil, a ascensão de Bolsonaro e a continuidade de suas ideias no cenário político, mesmo após a sua saída do governo, demonstram como a extrema direita não apenas sobrevive, mas se adapta. Em 2024, o bolsonarismo tem tentado se reorganizar e reagrupar forças, especialmente dentro da esfera política local. Sua estratégia envolve o fortalecimento de uma rede de apoio nas câmaras municipais e na luta por mais prefeitos e vereadores nas eleições de 2026. Ao mesmo tempo, a extrema direita busca ganhar espaço em debates morais e religiosos, temas que têm grande apelo no público brasileiro e que são frequentemente discutidos nas arquibancadas do futebol.

O futebol em 2024, portanto, não é mais apenas um esporte, mas um campo de disputa política e ideológica. A convergência entre os movimentos de extrema direita e o futebol evidencia como o esporte pode ser manipulado para servir a interesses políticos específicos. Com isso, é fundamental que a sociedade esteja atenta aos sinais de radicalização e mobilização, tanto nas arquibancadas quanto nas urnas. A história recente mostra que, quando esses movimentos se aproveitam de temas populares para ganhar apoio, os danos podem ser irreparáveis, comprometendo a democracia e as liberdades civis em todo o mundo.

Autor: Werner Krause
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital

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