Candidato do PL iniciou conversas com dirigentes do União Brasil e do PP, enquanto a federação avalia possíveis condições para um eventual apoio.
A disputa presidencial de 2026 entrou em uma nova etapa de articulações políticas nesta semana. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 24 de setembro, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, procurou os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda, para conversar sobre um possível apoio da federação em um eventual segundo turno. As conversas ocorrem a dez dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. (Folha de S.Paulo)
A Federação União Progressista reúne União Brasil e Progressistas e precisa tomar decisões conjuntas sobre eventual apoio nacional. De acordo com a reportagem, dirigentes das duas legendas avaliam a possibilidade de uma aliança, mas também consideram questões relacionadas à participação em um eventual governo e à composição do Congresso Nacional. A decisão, portanto, envolve tanto a disputa presidencial quanto as negociações sobre o futuro comando do Legislativo. (Folha de S.Paulo)
Flávio busca aproximação com União Brasil e PP
As conversas entre Flávio Bolsonaro e os dirigentes do União Brasil e do PP acontecem depois de as duas siglas terem mantido neutralidade na disputa presidencial no primeiro turno. A federação funciona como uma única organização partidária para determinadas decisões, o que significa que um eventual apoio formal no segundo turno precisaria ser discutido conjuntamente pelas duas legendas. (Folha de S.Paulo)
Segundo a Folha, Flávio procurou Ciro Nogueira e Antônio Rueda nesta semana para discutir essa possibilidade. O jornal informa que os partidos avaliam uma eventual aliança, mas querem considerar contrapartidas políticas relacionadas a um possível governo e à composição do Senado. Essas informações são atribuídas pela reportagem a dirigentes e aliados envolvidos nas negociações. (Folha de S.Paulo)
A movimentação ocorre em um momento no qual diferentes candidaturas procuram ampliar suas possibilidades de alianças para uma eventual segunda etapa da eleição. A CNN Brasil informou também que integrantes da campanha de Flávio avaliam que o resultado do primeiro turno poderá influenciar as negociações com partidos do centro e centro-direita. A publicação ressalta, contudo, que essa é uma avaliação da própria campanha, e não uma previsão independente sobre o resultado eleitoral. (CNN Brasil)
O calendário eleitoral é um dos fatores que explicam a cautela das legendas. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e as negociações para um eventual segundo turno dependem da configuração efetivamente produzida pelas urnas. Por isso, dirigentes partidários analisam simultaneamente a disputa presidencial, as eleições para o Congresso e os resultados estaduais antes de definir uma posição nacional.
Presidência do Senado entra nas negociações
Um dos pontos destacados pela Folha é a situação de Davi Alcolumbre, do União Brasil, atual presidente do Senado. Segundo o jornal, a permanência de Alcolumbre no comando da Casa a partir de 2027 aparece entre os interesses considerados pelo União-PP durante as discussões sobre um eventual apoio a Flávio Bolsonaro. (Folha de S.Paulo)
A eleição para a Presidência do Senado acontecerá em fevereiro de 2027, depois da renovação parcial da Casa nas eleições deste ano. O Senado informa que 54 das 81 cadeiras estarão em disputa em 4 de outubro, com duas vagas para cada estado e para o Distrito Federal. O resultado dessa eleição parlamentar será, portanto, uma das variáveis para a composição política do Senado no próximo ano. (Senado Federal)
A composição da próxima legislatura também interessa aos partidos porque a distribuição das cadeiras influencia a formação de maiorias e a escolha dos integrantes das Mesas Diretoras. No caso do União-PP, a discussão sobre eventual apoio presidencial ocorre paralelamente à necessidade de preservar espaços políticos conquistados pelas duas legendas no Congresso.
De acordo com a reportagem da Folha, uma reunião entre os presidentes da federação União Progressista e a bancada eleita está prevista para 6 de outubro, após o primeiro turno. A publicação aponta esse encontro como um dos momentos em que a federação poderá avaliar sua posição nacional diante dos resultados eleitorais. (Folha de S.Paulo)
Apoios do segundo turno dependem do resultado das urnas
As articulações não estão restritas ao União Brasil e ao PP. O cenário também envolve outras legendas que mantiveram posições próprias durante o primeiro turno e que poderão precisar discutir novamente suas estratégias caso haja uma segunda etapa. Reportagens recentes mostram que diferentes partidos avaliam tanto possíveis apoios presidenciais quanto a preservação de alianças regionais. (XP Investimentos)
O Correio Braziliense informou nesta quinta-feira que a campanha de Lula também busca conversar com integrantes do Centrão e lideranças estaduais diante da possibilidade de uma segunda etapa. A reportagem afirma que o grupo ligado ao presidente procura preservar apoios regionais mesmo diante de eventuais decisões nacionais das cúpulas partidárias. (Correio Braziliense)
Essa dinâmica demonstra que uma eventual aliança de segundo turno não necessariamente produziria o mesmo alinhamento em todos os estados. Partidos nacionais possuem diretórios regionais, lideranças locais e alianças próprias, o que pode resultar em diferentes posições dependendo da região. A composição das bancadas eleitas também poderá modificar as negociações depois de 4 de outubro.
Outro elemento relevante é que as decisões partidárias ainda dependem do resultado do primeiro turno. Até o momento, União Brasil e PP não formalizaram apoio a Flávio Bolsonaro para uma eventual segunda etapa. A informação disponível indica que existem conversas e avaliações internas, mas a decisão definitiva dependerá das negociações e dos resultados eleitorais.
A aproximação entre Flávio Bolsonaro e a Federação União Progressista mostra como as eleições de 2026 envolvem, além da disputa presidencial, negociações sobre a futura composição do Congresso e do governo. Para os partidos, o resultado das urnas definirá o tamanho das bancadas e o espaço disponível para novas alianças. A reunião prevista para outubro poderá oferecer novos elementos sobre a posição da federação, mas qualquer apoio formal em um eventual segundo turno ainda depende da configuração produzida pelo primeiro turno.
Fontes
- Folha de S.Paulo — Flávio procura União-PP e federação avalia apoio no 2º turno
- CNN Brasil — Equipe de Flávio vê resultado do 1º turno como fator nas negociações com o Centrão
- Correio Braziliense — Lula tenta atrair Centrão de olho em eventual segundo turno
- Senado Notícias — Eleições 2026 e disputa pelas cadeiras do Senado
- XP Investimentos — News XPress de 24/09/2026, com panorama das articulações eleitorais





