
É essencial distinguir entre receber uma orientação e compreendê-la efetivamente. Essas duas ações nem sempre são tratadas como sinônimos, mesmo que ocorram simultaneamente em uma consulta. O doutor Yuri Silva Portela, profissional com foco em geriatria, transmite que muitos pacientes idosos saem do consultório com instruções entregues, mas não necessariamente compreendidas, uma lacuna que raramente é verificada antes do fim do atendimento.
A Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa reúne informações clínicas, orientações de autocuidado, prevenção da violência, dados sobre seguridade social e articulação entre diferentes setores, reconhecendo que a saúde na terceira idade depende tanto de acesso à informação quanto de acesso a tratamento propriamente dito.
No decorrer deste artigo, entenda por que o letramento em saúde é importante para a autonomia da pessoa idosa e como uma comunicação mais clara pode contribuir para decisões e cuidados mais seguros.
Receber informação não é o mesmo que compreendê-la
Explicações repletas de terminologia técnica, fornecidas de maneira rápida ao término da consulta, geralmente não resultam em compreensão concreta, mesmo quando tecnicamente corretas sob a ótica médica. O doutor Yuri Silva Portela enfatiza que questionar diretamente a compreensão do paciente, em vez de simplesmente presumir que ele compreendeu, é uma prática fundamental. Essa abordagem permite identificar possíveis lacunas de entendimento antes que ocorra um erro no tratamento.
Essa diferença se torna ainda mais relevante entre idosos, que frequentemente enfrentam tratamentos complexos envolvendo múltiplos medicamentos e orientações que exigem compreensão precisa para serem seguidas com segurança ao longo do tempo.
Caderneta Brasileira da Pessoa Idosa: um avanço na organização do cuidado integral
O documento organiza, em um único instrumento, informações que vão desde histórico clínico até orientações sobre direitos previdenciários e mecanismos de proteção contra violência, reconhecendo que cuidado integral exige mais do que dados médicos isolados. O doutor Yuri Silva Portela menciona que a reunião de informações em um formato acessível representa um avanço relevante, ainda que sua efetividade dependa de como profissionais de saúde a apresentam e explicam ao paciente.
Ter acesso ao documento não é suficiente para garantir uma compreensão plena de seu conteúdo. Por esse motivo, é fundamental que os profissionais dediquem tempo para orientar os pacientes, apresentando as informações de forma clara e organizada.
A família também participa desse processo de compreensão
A participação de familiares e cuidadores pode ser fundamental quando o idoso apresenta dificuldades de memorização, organização ou interpretação de orientações de saúde. Esse procedimento não representa uma substituição da autonomia do paciente, mas a criação de condições para que as informações sejam retomadas no cotidiano, especialmente quando envolvem horários de medicamentos, consultas, exames ou mudanças de rotina.

Yuri Silva Portela
Outro ponto a ser considerado é a necessidade de se evitar a centralização da comunicação exclusivamente no acompanhante. Sempre que possível, o profissional deve dirigir as explicações ao próprio idoso, verificando o que ele entendeu e quais dúvidas ainda permanecem. O Dr. Yuri Silva Portela pontua que é essencial preservar o protagonismo do paciente, bem como identificar suas necessidades de apoio, sem que a presença da família se torne uma substituição à sua voz.
Quando existe uma rede de apoio bem orientada, as informações recebidas no serviço de saúde podem ser incorporadas com maior consistência à rotina. Família, cuidadores e profissionais atuam de maneira complementar, auxiliando o idoso a transformar recomendações pontuais em práticas de autocuidado e acompanhamento contínuo.
Letramento em saúde como exercício de cidadania
A compreensão de informações sobre a saúde própria permite que o idoso participe ativamente de decisões sobre tratamentos, reconheça seus direitos e busque serviços adequados quando necessário, exercendo cidadania de forma concreta e cotidiana. Investir em letramento em saúde representa, nesse sentido, mais do que uma estratégia clínica: é o reconhecimento de que o acesso à informação amplia a autonomia real.
Doutor Yuri Silva Portela reforça que é essencial ter paciência, utilizar linguagem acessível e verificar constantemente os conhecimentos adquiridos por aqueles que orientam. Esses elementos simples são capazes de transformar informação em conhecimento efetivamente incorporado pela pessoa idosa.





