
O especialista no mercado financeiro Felipe Rassi acompanha de perto as transformações nos meios de pagamento e destaca que, mesmo diante da tecnologia e da digitalização bancária, o cheque ainda possui espaço em determinadas negociações. Embora muitas pessoas considerem esse recurso ultrapassado, ele continua sendo utilizado em setores específicos da economia, principalmente em operações empresariais, acordos comerciais e pagamentos programados.
Neste artigo, será explicado por que o cheque ainda existe, quais são suas vantagens, os riscos envolvidos e como ele se posiciona diante das novas formas de transação financeira.
O cheque ainda é utilizado atualmente?
Mesmo com o crescimento acelerado do PIX, cartões digitais e carteiras virtuais, o cheque não desapareceu do mercado brasileiro. Seu uso diminuiu consideravelmente nos últimos anos, porém ainda permanece ativo em operações específicas, principalmente entre empresas e profissionais que trabalham com pagamentos parcelados ou negociações formais.
Em muitos casos, o cheque continua sendo visto como uma ferramenta que transmite segurança documental. Isso ocorre porque ele possui valor jurídico e pode ser utilizado como prova em cobranças e acordos financeiros. O especialista jurídico Felipe Rassi observa que alguns segmentos ainda preferem o cheque justamente pela possibilidade de formalização das transações.
Por que o cheque perdeu espaço no mercado?
A principal razão para a queda no uso do cheque está ligada à praticidade oferecida pelas soluções digitais. Atualmente, transferências bancárias são realizadas em segundos, enquanto pagamentos online permitem maior agilidade e controle financeiro. Outro fator importante envolve a segurança. Durante muitos anos, golpes relacionados a cheques sem fundo geraram desconfiança tanto entre consumidores quanto entre empresas. Com isso, comerciantes passaram a priorizar meios de pagamento mais rápidos e seguros.

Felipe Rassi
Felipe Rassi comenta que o comportamento do consumidor moderno também contribuiu para essa mudança. Hoje, as pessoas buscam conveniência, velocidade e integração digital, características que o cheque não consegue oferecer da mesma maneira que as tecnologias financeiras atuais. Além da praticidade, os aplicativos bancários facilitaram o acompanhamento em tempo real das movimentações financeiras, algo que o cheque tradicional não proporciona com a mesma eficiência.
Em quais situações o cheque ainda é usado?
Apesar da redução no uso cotidiano, o cheque ainda aparece em negociações empresariais, contratos de prestação de serviços e acordos de maior valor financeiro. Em alguns setores, ele continua sendo utilizado como garantia de pagamento futuro. Nesse sentido, existem empresas que utilizam cheques pré-datados como forma de parcelamento informal. Essa prática ocorre principalmente quando há relacionamento de confiança entre as partes envolvidas.
Outro cenário bastante comum envolve processos jurídicos e negociações financeiras em que o cheque funciona como instrumento documental. Por possuir validade legal, ele pode ser utilizado em ações de cobrança e execução judicial. Felipe Rassi destaca que muitos empresários ainda utilizam o cheque como mecanismo estratégico em determinadas operações comerciais, especialmente quando há necessidade de registrar formalmente os compromissos financeiros assumidos.
O cheque oferece riscos financeiros?
Sim. Embora ainda seja utilizado, o cheque apresenta riscos que exigem atenção. O principal deles está relacionado aos cheques sem fundo, situação em que o emissor não possui saldo suficiente para compensação. Além disso, existe o risco de fraude, adulteração e clonagem. Mesmo com avanços nos sistemas bancários, golpes financeiros continuam ocorrendo, principalmente quando não há verificação adequada das informações.
Outro ponto importante envolve a demora na compensação. Diferentemente do PIX, que realiza transferências instantaneamente, o cheque depende de prazos bancários, o que pode impactar o fluxo de caixa de empresas e profissionais. Por isso, especialistas recomendam cautela na aceitação desse meio de pagamento. Avaliar o histórico financeiro do emissor e verificar a autenticidade do documento são práticas fundamentais para evitar prejuízos.
O cheque pode desaparecer completamente?
Felipe Rassi acredita que o cheque deve permanecer como um instrumento complementar dentro do sistema financeiro, mesmo que seu protagonismo seja cada vez menor. A tendência é que o uso do cheque continue diminuindo nos próximos anos. O avanço das fintechs, dos bancos digitais e das soluções instantâneas de pagamento torna o mercado cada vez mais tecnológico e menos dependente de documentos físicos.
No entanto, isso não significa um desaparecimento imediato. Existem setores que ainda dependem do cheque por questões operacionais, culturais e jurídicas. Em algumas negociações empresariais, ele continua sendo considerado uma alternativa válida.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez





