Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (13) mostra 36% dos eleitores identificados com a direita e 9% com a centro-direita; esquerda e centro-esquerda somam 29%, enquanto 21% dizem não ter posicionamento político definido
Uma pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, mostra que 45% dos eleitores brasileiros se identificam politicamente com a direita ou a centro-direita. O levantamento foi realizado entre os dias 9 e 12 de agosto e ouviu 2.400 pessoas em todas as unidades da Federação. (Poder360)
Os resultados mostram uma vantagem numérica do campo da direita na autodeclaração ideológica dos entrevistados. Dentro dos 45%, 36% afirmam ser de direita e 9% de centro-direita. Do outro lado do espectro, 17% se identificam como de esquerda e 12% como de centro-esquerda, totalizando 29%. (Poder360)
Outros 5% dizem ser de centro, enquanto uma parcela significativa, de 21%, afirma não possuir posicionamento político definido. Os números ajudam a traçar um retrato da identificação ideológica dos brasileiros num momento em que o país entra na fase mais intensa da campanha eleitoral de 2026. (Poder360)
Direita e centro-direita chegam a 45%
A pesquisa apresentou aos entrevistados cinco possibilidades de classificação político-ideológica: direita, centro-direita, centro, centro-esquerda e esquerda.
O maior grupo individual é justamente o dos que se consideram de direita, com 36%. Quando somados aos 9% que se classificam como centro-direita, esse campo chega aos 45%.
Já entre os entrevistados que se colocam do centro para a esquerda, 17% dizem pertencer à esquerda e 12% à centro-esquerda. Juntos, representam 29% da amostra. (Poder360)
Assim, considerando apenas a autodeclaração ideológica medida pelo levantamento, o grupo formado por direita e centro-direita supera em 16 pontos percentuais aquele composto por esquerda e centro-esquerda.
Centro representa apenas 5%
Outro dado que chama atenção é o percentual relativamente pequeno de entrevistados que escolheram simplesmente o centro.
Apenas 5% afirmaram identificar-se politicamente como centristas. Isso não significa, entretanto, que somente essa parcela tenha posições políticas moderadas. A pesquisa mede como cada pessoa prefere classificar a própria posição ideológica, e não necessariamente suas opiniões individuais sobre temas econômicos, sociais ou institucionais.
Uma pessoa pode, por exemplo, identificar-se com a direita e defender determinadas propostas associadas ao centro, ou declarar-se de esquerda e apresentar posições moderadas em assuntos específicos.
Por isso, a autodeclaração deve ser entendida como uma medida de identidade política, e não como uma descrição completa das opiniões de cada entrevistado.
21% não possuem posicionamento definido
Além dos grupos ideológicos, o levantamento encontrou uma parcela expressiva de brasileiros que não se encaixa em nenhuma das classificações apresentadas.
Segundo o PoderData/Aya, 21% disseram não possuir posicionamento político definido. (Poder360)
O percentual representa aproximadamente um em cada cinco entrevistados e ganha relevância em ano eleitoral. Esse grupo não deve ser automaticamente interpretado como eleitor indeciso, porque identificação ideológica e intenção de voto são medidas diferentes.
Um eleitor pode não se considerar de direita, esquerda ou centro e, ainda assim, já ter decidido em quem pretende votar. Da mesma maneira, alguém com identificação ideológica clara pode mudar de candidato durante a campanha.
Resultado chega em plena eleição presidencial
A divulgação ocorre num momento especialmente importante da disputa presidencial de 2026.
Na mesma rodada, o PoderData/Aya publicou pesquisas sobre intenção de voto, rejeição dos candidatos e avaliação do governo federal. No cenário de primeiro turno divulgado nesta quinta-feira, Lula aparece com 41% e Flávio Bolsonaro com 35%. (Poder360)
Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois, o levantamento aponta 46% para Lula e 45% para Flávio Bolsonaro, configurando empate técnico dentro da margem de erro. (Poder360)
Os dados mostram por que a identificação ideológica não pode ser convertida diretamente em intenção de voto. Embora 45% se classifiquem como de direita ou centro-direita, isso não significa que todos necessariamente votarão no mesmo candidato.
O mesmo raciocínio vale para os 29% que se posicionam entre centro-esquerda e esquerda.
Identidade política não significa voto automático
Essa distinção é fundamental para interpretar corretamente o levantamento.
Pesquisas de identificação ideológica perguntam ao eleitor onde ele próprio acredita estar localizado no espectro político. Pesquisas eleitorais, por sua vez, perguntam em qual candidato pretende votar.
As duas informações podem estar relacionadas, mas não são equivalentes.
Um candidato de direita pode conquistar eleitores que se consideram de centro ou até mesmo pessoas sem identificação ideológica definida. Candidatos de esquerda também podem avançar entre esses grupos.
Além disso, questões econômicas, segurança pública, avaliação de governo, características pessoais dos candidatos e rejeição podem influenciar a escolha eleitoral independentemente da identificação ideológica.
Direita entra na campanha com base expressiva
Mesmo com essas ressalvas, o resultado indica que a identidade de direita possui presença expressiva no eleitorado brasileiro às vésperas da campanha.
Os 36% que se definem diretamente como de direita formam o maior grupo ideológico individual encontrado pela pesquisa. Com os 9% da centro-direita, o conjunto alcança quase metade da amostra. (Poder360)
Politicamente, esse cenário cria uma base potencialmente relevante para candidaturas que procuram associar-se a pautas conservadoras, liberais ou de oposição ao atual governo.
Isso não significa, porém, que esse eleitorado seja homogêneo. A direita brasileira reúne grupos com posições distintas em economia, segurança, costumes, política externa e relação com as instituições.
A campanha presidencial terá justamente o desafio de transformar identificação política em votos concretos.
Esquerda e centro-esquerda somam 29%
Do outro lado, os entrevistados identificados com a esquerda representam 17%, enquanto a centro-esquerda reúne 12%.
Somados, chegam a 29% do eleitorado pesquisado. (Poder360)
Assim como acontece com a direita, esse conjunto também não pode ser tratado como um bloco eleitoral completamente uniforme. Partidos e candidatos disputam segmentos diferentes dentro do mesmo campo político, enquanto eleitores podem priorizar questões distintas na hora do voto.
O cenário presidencial divulgado simultaneamente pelo PoderData/Aya demonstra essa diferença: o percentual obtido por Lula na pesquisa estimulada de primeiro turno é superior aos 29% que se identificam com esquerda ou centro-esquerda. (Poder360)
Isso sugere que sua intenção de voto alcança também parcelas que não se classificam dentro desse campo ideológico.
Eleitor sem identificação pode ganhar importância
Os 21% sem posicionamento político definido também representam um segmento importante para as campanhas.
Como esse grupo não manifesta uma identidade ideológica clara, candidatos podem tentar conquistá-lo com propostas específicas relacionadas a temas considerados prioritários pelos eleitores.
Economia, inflação, emprego, saúde, educação e segurança pública tendem a desempenhar papel importante nessa disputa, independentemente da classificação ideológica.
O desempenho dos candidatos entre eleitores que não se identificam claramente com direita ou esquerda poderá, portanto, ajudar a definir o resultado da eleição.
Pesquisa ouviu 2.400 eleitores
O PoderData/Aya entrevistou 2.400 pessoas em 658 municípios das 27 unidades da Federação, entre 9 e 12 de agosto de 2026. As entrevistas foram feitas por telefone, tanto em linhas fixas quanto celulares, utilizando sistema de Unidade de Resposta Audível (URA). (Poder360)
A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06868/2026. (Poder360)
O PoderData informa que o estudo foi realizado com recursos próprios e teve parceria de divulgação com o Aya Bancah.
Levantamento retrata eleitorado às vésperas da campanha
Os resultados divulgados nesta quinta-feira oferecem um retrato da identidade política brasileira em um momento decisivo do calendário eleitoral.
A principal conclusão é que 45% dos entrevistados se posicionam entre direita e centro-direita, contra 29% entre esquerda e centro-esquerda. Outros 5% dizem pertencer ao centro e 21% não apresentam posicionamento político definido. (Poder360)
O levantamento não permite concluir, entretanto, que a eleição esteja definida em favor de determinado campo. Identificação ideológica, preferência partidária e intenção de voto são indicadores diferentes.
Com a campanha presidencial entrando numa etapa de maior exposição dos candidatos, o ponto central será observar até que ponto essas identidades serão convertidas em votos — e como os candidatos disputarão principalmente os brasileiros que não se encaixam de forma clara nos campos tradicionais da direita, centro e esquerda.
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