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Como equilibrar prevenção e resposta rápida na gestão de risco, na perspectiva de Márcio Alaor de Araújo

Márcio Alaor de Araújo
Márcio Alaor de Araújo

Toda empresa que lida com risco enfrenta uma tensão estrutural entre dois investimentos concorrentes: quanto dedicar à prevenção, tentando evitar que ameaças se concretizem, e quanto dedicar à capacidade de resposta, garantindo que a empresa reaja bem quando algo inevitavelmente dá errado. Nenhuma organização consegue eliminar o risco por completo, e insistir nessa ilusão costuma desviar recursos que seriam mais úteis em outro lugar.

Na perspectiva de Márcio Alaor de Araújo, executivo do mercado financeiro, o erro mais comum nesse equilíbrio é tratar prevenção e resposta como escolhas excludentes, quando, na prática, as duas dimensões precisam coexistir de forma proporcional ao perfil de risco específico de cada empresa e de cada tipo de ameaça enfrentada.

Por que prevenção sozinha não é suficiente?

Investir apenas em prevenção parte de uma premissa frágil: a de que é possível antecipar todos os riscos relevantes antes que eles aconteçam. Na prática, sempre existirão ameaças que escapam ao radar mais cuidadoso, seja por serem genuinamente novas, seja por surgirem de combinações de fatores difíceis de prever com antecedência.

Empresas que concentram todos os recursos em prevenção, sem desenvolver capacidade de resposta equivalente, costumam ser pegas de surpresa justamente pelos riscos que não constavam em seus mapeamentos, e reagem de forma lenta e desorganizada exatamente quando mais precisariam de agilidade.

Além disso, prevenção excessiva sem contrapartida de agilidade operacional pode engessar a empresa, criando camadas de controle tão rígidas que a organização perde velocidade para aproveitar oportunidades legítimas, na tentativa de blindar-se contra riscos de baixa probabilidade.

Os limites de apostar só em capacidade de resposta

O extremo oposto também traz riscos reais. Empresas que negligenciam a prevenção, confiando apenas na própria capacidade de reagir bem quando o problema aparece, tendem a enfrentar custos mais altos no momento da crise, já que muitos riscos, quando não antecipados, geram danos que poderiam ter sido evitados ou significativamente reduzidos com medidas preventivas simples.

Márcio Alaor de Araújo

Márcio Alaor de Araújo

Márcio Alaor de Araújo observa que essa aposta excessiva em resposta rápida costuma vir de uma cultura organizacional que valoriza mais a reação heroica diante da crise do que o trabalho silencioso e menos visível de prevenção, mesmo quando esse trabalho é o que evita boa parte das crises que exigiriam resposta em primeiro lugar.

Como calibrar o investimento entre os dois lados?

A calibração ideal depende do tipo específico de risco em análise. Riscos de alto impacto e baixa frequência costumam justificar investimento pesado em prevenção, já que o custo de um evento raro, mas grave, pode ser desproporcional ao investimento necessário para reduzir sua probabilidade. Já riscos mais frequentes, porém de impacto administrável, podem ser tratados com foco maior em resposta ágil.

Márcio Alaor de Araújo pondera que empresas maduras em gestão de risco mapeiam essas diferenças com clareza, evitando aplicar a mesma régua de investimento a ameaças que exigem abordagens completamente diferentes. Afinal, tratar todo risco da mesma forma, seja só prevenindo, seja só respondendo, tende a desperdiçar recursos em algumas frentes e deixar outras perigosamente desprotegidas.

Construir uma cultura que sustente as duas dimensões

Sustentar esse equilíbrio ao longo do tempo exige mais do que processos bem desenhados; exige uma cultura organizacional que valorize tanto quem previne quanto quem responde bem a uma crise, sem tratar a prevenção como trabalho invisível e menos reconhecido do que a reação emergencial.

Márcio Alaor de Araújo reforça que empresas capazes de sustentar esse equilíbrio de forma consistente tendem a atravessar crises com menos dano acumulado, porque já reduziram a probabilidade dos riscos mais graves e, ao mesmo tempo, mantêm a capacidade de agir rapidamente diante daquilo que, mesmo com toda prevenção possível, ainda assim acontece. É essa combinação, e não a escolha exclusiva por um dos dois lados, que sustenta organizações realmente preparadas para o risco.

 

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